"quis vomitar depois de assistir": filmes infantis e a questão da qualidade

 veja bem, como bom cinéfilos que somos, sabem do que se trata da "jornada do heroi"... aquela boa e velha receita do protagonista que come o pao que o diabo amassou e depois com mt esforço, consegue conquista td e vive feliz para sempre


.. bom, quando paramos para falar sobre filmes para crianças, isso é mt recorrente, sobretudo quando pensamos nos celebres canones como Rei Leao, Kung Fu Panda e todos os outros filmes infantis que conhecemos..

entendemos que "sempre" foi assim, mas quando procuramos pensas sobre isso sob a ótica crítica, entendendo as intenções perversas da industria cultural... tudo isso nao passa de um maniqueismo moralizante, que busca incutir ideias meritocráticas desde cedo na cabeça das crianças...



talvez pensemos que: "ha, mas é so um filmezinho infantil.. é inocente, nao precisa se complexo".. porem não é bem assim.. pq ficar subestimando a capacidade intelectual das crianças é algo que precisamos parar de fazer imediatamente... elas entendem as coisas se forem bem contextualizadas e precisamos assegurar que elas estejam tendo contato com a cultura humana elaborada em sua amplitude e não com a mera reprodução de historias ja muito conhecidas



particulamente falando, eu entendo filme enquanto arte.. e a arte tem função de nos tocar e ajudar a entender nossa subjetividade intrisicamente humana...  

então observe que um filme meramente moralizante como Como Mágica (2006) nao quer saber de subjetividade nenhuma... na verdade, quer o contrario: busca uma padronização da experiência relacional humana


analisando este com base em critérios de qualidade temática / gráfica / textual (proposição de Baptista, Petrovitch e Amaral (2021), porém tensionados para o campo cinematográfico), eu consigo enxergar o quanto essa porcaria é um desserviço para as crianças... alguns pontos são:

- temática: relações entre grupos de indivíduos simplista - confiança e traição / maniqueísmo do bem endeusado e do mal essencialista;

gráfica: hiperprofusão de cores, animais (que sequer existem) antropomorfizados /

- textual: falas simples e com jargões genéricos...

- conclusão: se propõe a incutir valores morais assepticamente - "vamos amar e respeitar o próximo que vai tudo ficar bem!"


historicamente nós ja sabemos que apenas "respeitar e amar o proximo" nao vai nos levar a lugar nenhum, isso é impossivel kkkk a historia da humanidade prova que nao é assim... 

então o filme ficar tocando nessa tecla, só mascara que toda a raiz da nosso sofrimento e desunião é na verdade os proprios meios de produção da vida o qual estamos submetidos (sim, o capitalismo kkkk)


é moralização e meritocracia por si só.. para manutenção do status quo

a falta de contexto, quier nos fazer acreditar na fé que se cada um fazer sua parte vai dar tudo certo.., a nossa relação humana em sociedade é muito mais que isso, ora!


mas ai voce pode me perguntar.. "ah, então como seria um filme infantil bom que vai trasnformar as crianças em marxistas e nos ajudar a super tudo isso?" e eu respondo: nao tem kkkk


o monopólio da industria cultural é perverso, pq a produção de filmes infantis fica subssumida na mão de apenas algumas empresas, vc sabe quais.... 


porem, todavia, entretano... sabemos de filmes bons que podem nos auxiliar na fuga dessa experiência engessada e nos oferece contexto para pensar sobre outros elementos da experiência humana com as crianças:

- robos (2004): um classico! um otimo exemplo para pensar as relações perversas do capitalismo e a obsolecencia programada.. (e olha que esse é antigo)...

- viva, a vida é uma festa (2018): fala sobre morte com as crianças, luto, inveja, e apresenta um pouco da cultura mexicana para quem nao conhece...

- luca (2021): tem aceitação, respeito, embriona afetivida .. é moralizante em certa medida também, mas toca de forma diferente.. - e existem varios outros exemplos que podemos falar sobre por horas.. apenas cite um filme que conversamos sobre sksksks



observe que, contraditoriamente, todos esses filmes também operam na logica do heroi, afinal são frutos da industria cultural Diney/Pixar..  porem eles não assépticos igual esse outro, entende? não é a fantasia pela fantasia.. tem coisas ali


podemos pensar ainda em:

- flow (2024): algo simplesmente sem palavras (literalmente kkkk), e que por isso mesmo é arte pura para ser aprentada para as crianças.. em tempos de modernidades liquidas em que as crianças so querem informações rapidas no tiktok, esse filme vai na contramão da logica hegemonica...



toda essa discussão se faz necessária, porque se queremos que alguma dia algo verdadeiramente mude para melhor, devemos problematizar absolutamentre TUDO que consumimos nessa vida...










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como sugestões de leitura, deixo:


SOUZA, André Barcellos Carlos de. Arte, infância e indústria cultural. Inter Ação, v. 39, n. 1, p. 129-143, 2014. Disponivel em: <https://repositorio.bc.ufg.br/riserver/api/core/bitstreams/67df9e40-1d06-4f52-b1b8-c42ffb006815/content>



BAPTISTA, Mônica Correia; PETROVITCH, Camila; AMARAL, Mariana Parreira Lara do. Livros de literatura para a primeira infância: a questão da qualidade. Revista Electrónica Leer, Escribir y Descubrir, [S.1], v. 1, n. 8, pp. 10-23, 8 jun, 2021. Disponivel em: <https://www.academia.edu/113341240/Livros_de_literatura_para_a_primeira_inf%C3%A2ncia_a_quest%C3%A3o_da_qualidade>




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